17.11.16

Voa.



Saudade de quando eu olhava pra frente e via o infinito. Saudade da água salgada no cabelo, que fazia interferência pra que nenhum pensamento ruim conseguisse entrar. Esfoliei meus pés, lavei a alma e achei que nada mais a partir daí iria me afetar. A gente sempre acha que na volta pra casa tudo vai estar diferente.

Pasmem: nunca tá. A vida continua do mesmo jeito, seguindo o mesmo curso que seguia quando a gente deixou ela aqui. A gente volta e tudo volta junto. A tatuagem que eu fiz pra marcar o ponto em que eu me libertei de algumas amarras perdeu um pouco do sentido quando de repente eu me vi presa de novo. Mas sei que quando olhar eu sempre vou lembrar que consigo sair de uma gaiola — quantas vezes eu quiser. O segredo tá nesse último verbo. Eu tenho que querer. E quero. E vou.

Sou uma andorinha que quebrou as asas diversas vezes em um período que foi mais duro que todas as correntes de ar que já teve que enfrentar. Mas renasço como fênix. E transcendo. Não é de hoje que eu preciso me reinventar e nisso eu sei que tem muita gente por aqui pra me ajudar.

Voa, vai.

10.9.16

Carta pra você nº2

Nunca mais vou mais acordar do seu lado. Nunca mais acordei. Essa foi a despedida mais longa da minha vida — aproximadamente 9 meses esperando a ficha cair, até a data de hoje. E eu odeio despedidas. Há exatamente 365 dias eu realmente não acreditaria se você me contasse a história toda a partir dali. Antes por ser tão boa, agora por ser tão triste.

Mas eu fui feliz. Eu realmente não achava que encontraria amor assim, mas encontrei. Nem alguém assim. E isso já valeu por tudo, pode acreditar. Sempre vou levar comigo a lembrança de que um dia vivi duas vidas ao mesmo tempo e na sintonia mais bonita e imperfeita. E mereci. E sou muito grata por tudo.

Acho que amadurecer é descobrir que as coisas mudam e as pessoas tomam rumos diferentes — e aceitar isso. Hoje, eu aceito que aqueles planos e quase-imagens do nosso futuro não vão sair dos fundos do meu subconsciente. E que aquele CD que você gravou com as nossas várias-músicas não vai quase mais sair da gaveta. Sei que você já aceitou faz tempo. Acho que a gente amadureceu. Juntos.

Sei também que você vai encontrar tudo o que procura e não achou aqui. Seja lá onde for. Vai tropeçar em muito amor e coisas boas no meio do caminho. E se tiver algumas pedras, vai saber sempre cair e levantar de novo.

Queria ter dito isso e tantas coisas mais, mas as palavras nunca foram muito com a minha cara e sempre fugiram quando eu mais precisei delas. Ficar em silêncio enquanto você dirigia com um nó na garganta e escrever esse texto depois pareceu uma boa ideia na hora. Só faltou a trilha sonora pro fim do nosso filme. Se eu pudesse escolher, seria essa: https://www.youtube.com/watch?v=M-K1LhncFao, mas a gente é tanta música e você é tão música que nem sei.

Não sei como agradecer, nem como dizer adeus agora.

Então até logo.

8.9.16

De mim pra mim

Não, as coisas não estão conspirando coincidentemente pra aumentar as chances de alguma outra coisa. E nem diminuir. Não, aquela música tocou naquela mesma hora porque simplesmente tocou e sua playlist estava no aleatório. Não, não adianta você esperar a energia do universo se aglomerar novamente de forma positiva e tudo voltar ao seu devido lugar. Não, o universo não vai mesmo ter pena de você e mudar de ideia sobre o curso das coisas.

A cartomante não pode trazer um amor de volta. Aquele telefone que apareceu na TV não vai resolver todos os seus problemas. E para de achar que o mundo tá contra você. Não tá. Ele tem coisas bem melhores — e piores — pra se preocupar. Você acha que perdeu tudo, mas não perdeu. Os sentimentos continuam aí. A esperança também.

De mim pra mim em jan/2016.

5.7.16

Sobre eles

Por que eu insisto em me sabotar? Por que eu insisto em me machucar? Eu já vi e revi esse filme várias vezes, e sei bem como ele acaba. Algum motivo deve ter pra eu não conseguir deixar pra lá.

Desde o início eu sabia das consequências. Eu sabia que mais uma vez eu não veria um final feliz. Mesmo assim eu deixei usarem até o último pingo do que era bom dentro de mim. Eu deixei de lado os meus valores, os meus princípios e meu amor próprio. E até hoje não trouxe eles de volta.

Até hoje eu tenho sonhos com ele de protagonista. Dizem por aí que, se você sonha repetidamente com uma pessoa, é porque tem alguma coisa mal resolvida. Eu achei até pouco tempo atrás que realmente existia alguma coisa mal resolvida entre a gente. Até que eu percebi: eu só usava o plural e não percebia que devia trocar tudo pro singular. A coisa mal resolvida era comigo mesma.

Eu tenho que resolver isso lá dentro de mim. Só eu vou acabar com isso, só eu posso me ajudar. Só eu posso me libertar e encontrar de novo a paz de dançar comigo mesma. Arrancar a necessidade da aprovação alheia e a necessidade de ter alguém ali o tempo inteiro segurando minha mão pra eu não cair.

Não dá pra fazer todo mundo gostar da gente, não dá pra fazer as coisas funcionarem do jeito que a gente quer o tempo todo. E isso parece me chatear mais que o normal. Sempre penso demais nesses problemas que são tão pequenezas perto da imensidão e complexidade do mundo.

Mas tudo bem pensar. Só não pode deixar levar.