24.6.13

Como ser um pássaro

















Quando era pequena acordei um dia achando que eu podia controlar os ventos. A vida tirou isso de mim e hoje nem sei pra onde estão soprando. Mas ela não tem culpa.

A verdade é que se a gente não endurece a gente não sobrevive — simbolicamente e literalmente. Darwin já sabia disso quando propôs a teoria da seleção natural: os mais adaptados se sobrepõem aos demais. Pra nós é estar adaptado à dores, doenças, sofrimentos, experiências do dia-a-dia e, principalmente, às próprias pessoas.


Entenda isso: tem muita gente que vai tentar te machucar e te rebaixar no mundo. Porque absolutamente todos têm um lado ruim, só que alguns não conseguem se equilibrar e acabam se deslocando pra esse lado em muitos momentos. No meu caso, sempre dou o azar de estar na vida de certas pessoas nesses momentos e viro um alvo propício pra elas. Às vezes nem é pessoal, às vezes é. Acontece mais frequentemente com alguns e menos com outros, mas acontece. A questão é que depois da cicatrização isso fortalece a gente pro que ainda está por vir; talvez pra nas próximas vezes doer um pouco menos, mas nunca vai deixar de doer.


Só não dá pra confundir 'ficar mais forte' com 'ficar mais frio' e se fechar. Isso protege a gente das coisas chatas mas faz perder as coisas boas também. E muita coisa boa pode brotar de situações ruins, como se superar, se reinventar e se re-amar. Não tem a ver com confiança. Claro, confiar mais em si mesmo e aprender a não confiar em todo mundo de cara é um remédio amargo e necessário; mas isso não deveria impedir outras pessoas de se aproximarem. Nem todo mundo é igual e eu aprendi que as aparências enganam muito.


A maioria dos dias eu deixo a falta de auto-estima e o mau humor que os baques me causaram tomarem conta de mim e falto em aproveitar a vida. Não tô falando de viver enlouquecidamente, cada um tem seu conceito pra  "aproveitar a vida". Eu sou sossegada, gosto de rotina e valorizo mais as coisas pequenas; e isso me satisfaz na maior parte do tempo. Às vezes acho que estou perdendo a vida por isso, mas não é. Perco a vida pelo jeito que encaro ela quando me acomodo com o que incomoda. E sabe o que eu tô fazendo assim? Deixando eles ganharem no meu próprio jogo.


Um pássaro é livre e está bem sendo livre. Um pássaro às vezes voa sozinho e é feliz assim. 

Pra ser pássaro tem que se aceitar. Tem que aceitar a vida. Não deixa ninguém te segurar.


P.S.: Escrevo isso pra ajudar à mim mesma e (tomara) pra quem precisar.





(Fotos por Allan Mendes, brincando de modelo uns meses atrás)

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