20.7.13

Registros de três dias.


Pseudo-prefácio: acho que me tornei uma pessoa habituada à limpeza. Não só física, mas mental também. Todo mundo deveria varrer a memória de vez em quando, tirar borrões antigos da parede. Afinal, nós fazemos parte de uma enorme troca de energias com o universo e transmitir uma energia limpa é essencial. 

Quinta
Hoje choveu. Acendi uma vela (que derreteu engraçado), coloquei minhas pantufas de pata de urso e sentei na cadeira pra ver se saía alguma coisa boa dessas longas digitações no teclado. Não consigo enquanto a música não tá certa e um mosquitinho fica zumbindo perto de mim insetos deviam ser mais requisitados do lado de fora da minha janela. Queria falar dos filmes que vi, do livro que li, das músicas que ouvi. Mas não tenho platéia, então escrevo. O ruim de estar escrevendo depois de certo tempo é que fico constantemente duvidando e pesquisando a forma correta das palavras. Talvez seja dislexia.

Como disse, não tenho muito o que fazer e tenho visto alguns filmes pra preencher a rotina. Resolvi assistir "Charade" por esses dias e, embora não seja um dos clássicos fotogênicos como Bonequinha de Luxo ou Cinderela em Paris, percebi que Audrey Hepburn nunca se adequava à essência do filme, o filme sempre se adequava à essência de Audrey. Justamente por ser tão única e doce! Foi, sem dúvida, um dos seres humanos que mereceram ser descobertos e divididos com o mundo. Queria ter os enormes olhos delineados dela. 

Passou outro dia o filme da Coco Chanel também. Nunca imaginei que por trás desse nome havia uma mulher inteira que era tão sofrida, complexa e não desistia. Me senti ela quando foi deixada e em seu trabalho encontrou refúgio trabalho que se tornou essa marca tão renomada e desejada por tantas mulheres. Trabalho que também deu origem à essa publicidade atual incrível (clica aqui pra se encantar). 

Incrível como isso me faz querer criar, produzir e exercitar minha criatividade logo. Mas sempre fui uma pessoa lenta. Demoro até pra terminar um livro. Me apego às coisas, histórias e fases e preciso passar o máximo de tempo com elas. Mesmo que eu não faça nada nesse tempo, dentro da minha cabeça ele não foi perdido. Consegui terminar de ler Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, inclusive. Esse livro conquista a cada peculiaridade e interferência diferente e não é qualquer um com uma licença poética que consegue.


Preciso sair mais.

Sexta. 
Me vesti, calcei meu oxford e saí. Até passei batom. Não deu certo. Tentei ir com meus amigos a três lugares, dei o azar de não ter nada em nenhum. Talvez seja o destino me avisando que essa coisa não é mais pra mim. Alguma coisa sempre acontece e volta a me prender em casa. Não que eu não goste do meu conforto, mas... Será que eu tô fadada ao monótono?

Sábado.
Hoje teve café e gente que eu não via há um tempo. Tão bom passar a noite num lugarzinho legal com conversa de verdade e pessoas de verdade... Sem música ruim, gente noiada e cheiro de cigarro. É... Acho que é disso que eu gosto.

Deu a madrugada, li um texto bonito e comecei a chorar. Sou boba demais. Queria que aquelas palavras também pudessem sair de mim. Sempre que rio muito compenso mais tarde com algum choro... Se desintoxicar por lágrimas também conta como limpeza? Tenho uma dor terrível no ombro. Acho que é muito peso. Pelo menos amanhã tem yoga.

4 comentários :

  1. Respostas
    1. Obrigada por acompanhar e registrar sempre sua marca aqui, mesmo. ♥

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  2. Continue registrando a sua infinitude sempre, por favor. É tão gostoso sentir esse seu jeito manso, a limpeza e cheirinho gostoso do seu quarto, e você pertinho, apesar da distância... Saudade!

    Com amor,
    Su.

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    1. Te gosto tanto, Su! Mas que saudade...

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