21.12.14

Sobre apagar sem borracha

Peguei isso aqui e virei de cabeça pra baixo. Os textos antigos viraram só rascunho, porque é isso que passado tem que ser: só um rascunho. Um rascunho pra próxima história incrível que vai ser escrita daí.  Pra gente ir relendo e rabiscando até encontrar a fórmula pra fazer dar certo cada dia do presente. Mas não ensinam pra gente que não existe a fórmula perfeita, a quantidade exata... O imperfeito e os erros que fazem a gente acertar no final. Errar é lindo.

Há quase dez meses, eu decidi ser menos sensível e me segurar na hora de abrir uma página em branco pra escrever em momentos ruins. É impossível mentir o quanto foi difícil  porque são em momentos ruins que minha mente lateja reticências. Mas às vezes, se uma coisa não vai acrescentar nada a ninguém, é melhor deixar guardado na nossa coleção. O fato é: precisava diminuir minha quantidade de rascunhos ruins. E o segundo fato: eu consegui.

Mas além de me poupar em certas horas, resolvi gritar mais em outras. Virei adepta do silêncio em troca de coisas boas e adepta da voz em troca de alívio pra alma. A vida tem dessas vezes em que o melhor remédio é falar. E olha, nunca me curei tanto assim. Minha garganta podia doer o quanto fosse, era o efeito colateral das palavras escapando do nó que tinham dado antes.

Foram nesses dez meses que meu corpo mais adoeceu. Mal sabia eu que era a desculpa que minha alma precisava pra se renovar. E eu nunca saberia do alívio da conversa se não soubesse da angústia do silêncio. Não saberia da vírgula se não soubesse do ponto. Nem do certo se não fizesse o errado muitas vezes.

Entende?

Porque chegou a hora de encerrar mais um ano e deixar aqui mais uma epifania.

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