12.1.15

No man is an island

Quando a gente sofre por si sempre acha que não tem nada pior. Que o sofrimento por terceiros não chega nem perto do sofrimento pelo próprio espelho. Só que não é tão por aí. Sim, sofrer por coração partido não chega nem perto de sofrer por uma auto estima destruída. Mas se tratando da dor de uma pessoa amada (e até não amada), da pobreza literal e de espírito e de tudo mundialmente mais importante, a dor do nosso ego não é nada. A verdade é que pensar assim torna tudo mais fácil. 

É certo que se a gente não consegue se aceitar por fora não consegue transmitir nada de bom pra dentro, nem pra fora e vice e versa. E assim ninguém vive. Mas quando eu penso na quantidade de pessoas que enfrentam batalhas diárias consigo mesmas e se superam porque a vida não para, eu fico com vontade de tentar um pouco mais.
Tem gente que tem sorte. Não tem palavra melhor pra definir, é sorte. Nasce de bons genes, de boas famílias, de circunstâncias certas e nos lugares certos. E sem ofensas - porque a vida não é fácil pra absolutamente ninguém -, mas quem merece o crédito da batalha são esses que não dão tanta sorte assim, e eles são a maioria. Porque pra viver fácil em um mundo superficial de status e padrões, em que se cria até "ditadura do bronzeado", só com sorte mesmo. Ou muito dinheiro. 

Eu sei - já tenho muita sorte. Tenho quem me ame (e aqui qualidade ganha de quantidade), uma mãe que é tão maravilhosa cuja existência às vezes questiono, um lugar pra chamar de lar (e pessoas também) e muito mais do que eu precisaria pra viver bem. Agradeço, e apesar disso sofro. Sofro porque é humano sofrer. Sofro porque desde pequena fui diferente do resto. Não tinha a beleza padrão do resto das meninas, nem a personalidade. Sempre vou ser muito baixa, muito magra, muito nova, muito tímida, muito desengonçada, muito branca e rosada ao mesmo tempo (mas hoje sei que diferente também é bonito). Sofro porque não cumpro com o que todos esperam. Sofro porque às vezes me machuco. Sofro por amor, amizade e às vezes a falta disso. Sofro por medo. Sofro por quem eu amo. Sofro por tpm. Sofro de cansaço. Sofro porque adoeço. Sofro porque minha pele nunca mais vai ser a mesma. Sofro como todo mundo, e por coisas superficiais. Pode estar só na superfície, mas pode nos fazer afundar. 

Um p.s.: ninguém é o centro do universo.

Todo mundo tem motivos pra sofrer. Uns piores, uns nem tanto. Mas não deixam de ser bons motivos por níveis de gravidade. Nada nunca vai ser perfeito e não tem nada de errado em ficar triste de vez em quando - só de vez em quando. De resto de tempo, tem que tentar superar. Nem todo mundo consegue, mas todo mundo tenta. Se quiser provas, é só olhar pela janela. O mundo não para. E nem a gente.

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