24.1.16

21 is the loniest number

Chega uma certa idade e a gente acaba percebendo a sincronicidade das coisas. Coisas ruins virão num combo que você nunca assinou pra receber, mas as boas também vão continuar aqui — meio tímidas, mas sempre presentes. Não, 21 não é o fim da linha. Bem pelo contrário: é o início da partida.

Até os 9 anos você aprende esses números que nunca viu antes. A partir dos 10, os números começam a se misturar e até os 20 tá tudo bem: é tudo novo. Mas aos 21 tudo fica ao contrário. O número 2 vem antes do número 1, as misturas formam outras cores e você percebe que não tem mais doze anos.

Com doze anos eu colecionava sementes, adesivos e papel de carta. Hoje eu coleciono decepções e umas lições aqui e acolá. Ninguém conta que ter uma bagagem também é uma das obrigações que duas décadas trazem de cortesia. E a gente vai lidando. Vai lidando porque é o único jeito de descobrir o que vem por último. Mesmo sozinhos. Às vezes a solidão vai gritar baixinho lá de dentro, mas sempre vai ter gente aqui fora pra ajudar a abafar.

É essa falta... Falta alguma coisa que eu não sei mais ao certo o que é. Alguma coisa que vem de passagem de vez em quando pra me lembrar que eu posso ser normal e logo depois vai embora. E apesar de todas as tentativas frustradas de tentar fazer ela ficar, eu — agora com duas décadas e um ano — finalmente percebi: pertencimento não foi feito pra ser meu.

Essa é a ironia.

2 comentários :

  1. E eu — agora com duas décadas e sete anos continuo percebendo: seus textos vão sempre tocar profundamente meu coração.

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    1. Não esquece de se identificar depois, anônimo. <3

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