29.5.16

Inferno astral

Maio sempre representou meu inferno astral. Nos últimos anos, também representou pra mim grandes fases de autoconhecimento e transformação. O mês em que eu, ao invés de deixar a superstição levar 100% pro fundo do que é mais descuidado e perdido em mim, só deixo ir 50%. Metade de mim vai desacreditada em tudo, enquanto a outra vai seguindo canalizada no que pode ser melhor.

Do dia 1 ao dia 20 assusta como tirar sangue pela primeira vez, tormenta a alma que mais uma vez sente o peso de outro ano indo embora... Mas o final do roteiro é sempre digno de várias anedotas.

Era pra eu terminar esse pequeno texto de um jeito bom, de um jeito meio-feliz. Porque eu sei que todos os questionamentos que esse mês trouxe mais uma vez iriam ser sanados e transformados em epifanias sobre o melhor destino pra mim. De um jeito ou de outro, eu iria agradecer lá na frente. E em várias questões o fechamento do meu vigésimo primeiro ano já me fez grata de muitas formas diferentes. Mas eu nunca saio só ganhando.

Cada começo é mais um ponto de interrogação somado a tantos outros: perdida emocionalmente, perdida profissionalmente, perdida psicologicamente e às vezes até fisicamente. Mas quem disse que eu vou me achar um dia? Quem disse que eles vão me encontrar? Eles disseram que fugir do que te faz mal te fazia melhor, que o que não te derruba te faz mais forte... Só não disseram o quanto o caminho era difícil.

E eu me pergunto quando vai bastar, quando vai ser suficiente, quando a calmaria desse oceano vai chegar. Mas acontece que nada vai. Eu que tenho que ir. Nadar contra a maré até chegar no lugar em que certezas ou incertezas não vão mais importar, que perder também vai ser ganhar.

E assim eu sigo.

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