30.12.16

Aprendi

Aprendi a andar sozinha (a dançar sozinha). Aprendi a dizer mais "sim". Aprendi a dizer mais "não". Aprendi com esses sim's e esses não's. Aprendi com as intenções ruins das pessoas. Aprendi a ser mais desconfiada, mas que não dá também pra perder toda confiança. Aprendi que tem gente que mente pra se favorecer mais do que eu pensava. E que é muito humano tomar essas decisões ruins. Aprendi a conhecer mais pessoas — a re-conhecer pessoas. Aprendi que elas gostam de pré-julgamentos. Aprendi a não me abalar mais tanto com esses pré-julgamentos. Aprendi que todo mundo tem perspectivas diferentes sobre todo mundo. Aprendi que pouca gente fica no final. Aprendi a dizer adeus.

Aprendi também que eu posso ser eu. Que eu posso ser pássaro. Aprendi que sou forte e não mereço qualquer migalha. Aprendi que coincidências existem sim, mas que o destino sempre acaba dando uma mãozinha. Aprendi que tudo acontece por um motivo. Aprendi que eu tenho muito mais o que ver por aí. Aprendi a amar mais o mar. A sentir mais o cheiro da chuva depois de muita seca. Aprendi que sou só mais um tanto de pó de universo. Que eu sou feita de estrelas. Aprendi que o negativo inverte tudo, o preto vira branco e o branco vira preto (aprendi que eu tenho invertido muito as coisas). Aprendi a agradecer todo dia, que eu sou sortuda pra caramba. Aprendi que tudo muda. Aprendi que tudo passa. Aprendi que 2016 não foi um ano ruim, só não foi do jeito que eu queria. Aprendi que o mundo não acaba só por isso. Enfim aprendi.

Virei o ano passado chorando naquele mesmo sofá, do lado da labradora que cresceu comigo desde 2003: eu achava que era mesmo o fim do mundo — pra mim era. Depois disso tiveram ainda vários outros fins do mundo. Chorei em outros muitos dias do calendário, e a labradora já não estava mais lá. Parecia sempre um nó na garganta que acabaria de me enforcar, mas na manhã seguinte eu sempre acordava. Nunca vou esquecer que colocar um travesseiro no meio resolve tudo.

Não posso deixar de aprender que eu cheguei em mais um dia 31 de dezembro e isso não é atoa. Senti a luz do sol batendo no meu rosto hoje e tive finalmente a certeza que valeu a pena chegar. Eu tô aqui. 2017 tá logo ali. Só contar até doze de olhos fechados e ele chega, e depois mais um milhão de anos pra aprender mais um milhão de coisas. - Meu Deus, eu quero muito aprender. - Obrigada, 2016.

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