1.11.17

Não sei se eu cresci ou se o mundo diminuiu.



Não sei se eu cresci ou se o mundo diminuiu.

Dez anos atrás aquelas calçadas pareciam grandes e assustadoras demais pra eu perder um rosto conhecido de vista. Elas depois virariam o palco das minhas idas e vindas diárias que só faziam minha cabeça e meus pés doerem — só alguns tantos metros de pisadas e histórias de vida ambulantes —, e eu não sabia qual época me dava mais medo.

O primeiro dia de junho era sinônimo de espera, frio nostálgico e morangos. Mas as massas de ar fugiram do roteiro com os anos e já não era mais tão divertido assim ficar mais velha. Acho que eu fiquei fadada a um crescimento muito pensado — aprendi a sentir demais quando o resto do mundo já vivia. Só porque eu queria traduzir tudo em várias palavras bonitas que registrassem isso pra sempre. E tá registrado: hoje fico atônita se eu não consigo colocar alguma coisa no papel.

Vai ver meu mundo diminuiu porque eu cresci. As coisas do dia a dia parecem cada vez mais miúdas e o tempo parece passar cada vez mais rápido porque é ultrapassado por coisas que a gente vai considerando mais importantes. É quase loucura pensar que aproximadamente 8800 horas cabem num ano que acaba em 12 piscadas. É loucura pensar que esse ano fiquei quase oito meses sem sequer abrir os olhos (e só agora enxergo o suficiente pra dar alguma coesão em tudo isso que passou tão rápido e ao mesmo tempo tão devagar).

O tempo passa e as coisas vão acontecendo mais e mais e se juntando com coisas que já existem e virando um enorme monte de coisas fazendo todo o resto diminuir e -


- vai ver eu só tenho medo de diminuir junto.

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