10.3.18



É engraçado como a gente sempre quer se achar dentro das outras pessoas. Um traço parecido, uma música que é marcante pra você e pra outra, uma língua em comum. É como um lar fora de casa, confortante e conhecido. Como descobrir que a gente não é único nesse universo.

Eu vou me encontrando em tanta gente por aí. E também vou deixando levarem vários pedaços de mim — pedaços que às vezes eu esqueço ou perco quando elas vão embora. Vira quase um mantra: "Pessoas só são diferentes até um certo ponto e pessoas que vão embora não são confiáveis." No final a semântica é a mesma, só a prosa muda.

Você diz que tudo isso é normal, que eu tenho que me acostumar. Mas a verdade é que o normal nunca me atraiu. Eu sempre gostei das cores mais desbotadas, de ir até o fundo do que tá mais escondido e imerso no mundo. E a verdade é que as pessoas só entendem o que elas querem entender, e o que elas estão prontas pra entender.

Ninguém nunca realmente tá no mesmo tempo, na mesma sintonia. Tá todo mundo aqui e ali, mas ninguém se fala com medo de não ser entendido. No final a gente só quer ser entendido.

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